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UM OLHAR DA SENZALA 2: A DOUTRINA DE GILBERTO FREYRE COMO FORJA DA " DEMOCRACIA RACIAL" E DO "LUSO TROPICALISMO"

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Dando continuidade as ideias colocadas anteriormente sobre as tendências ideológicas presentes na obra de Gilberto Freyre, neste artigo pretendo trazer um pouco da reflexão sobre as relações e intenções políticas freyrianas, nos contextos Brasil, Portugal e países africanos colonizados por Portugal. É importante compreender a função dos intelectuais como produtores de discursos que vão legitimar ou deslegitimar ações do Estado, criando teorias para amparar projetos de intervenção social econômica em um determinado território. Outro fator importante é compreender que a cultura, para além da suas funções regionais de conectar os cidadãos de uma determinada sociedade, também é uma ferramenta que pode ser utilizada pelo Estado para estabelecer relações diplomáticas entre territórios, para se forjar uma certa identidade social, produzir bens econômicos através do turismo, entre outras questões. Sendo assim, quando olhamos para as relações estabelecidas entre Gilberto Freyre, Getúl...

DANIEL MARQUES, UMX GRANDE ARTISTA E PESSOA PARTE PARA O ORUN

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Estou devendo o texto sobre as relações políticas de Gilberto Freyre, e a sua profissão de elaborar conceitos por encomenda para ditadores, colonizadores e escravocratas. Logo menos pagarei minha dívida… No entanto, um assunto mais urgente e dolorido interrompe minha pausa na escrita e me faz mudar o rumo das palavras… Estou em dívida com a vida, estive em dívida com Daniel Marques… Estou falando de afetos adiados, daquela sensação de “não dá mais tempo”… No domingo dia 31/08/2017 recebi uma mensagem de áudio (de uma guerreira preta Yayá Thaina),  uma foto dx Daniel:  Acompanhada do seguinte texto: “A  maior de todas as dificuldades é aceitar o fato de que um homem está morto. Uma coisa é saber que um amigo está morto e outra coisa é aceitar dentro de nós mesmos, esse silêncio irrespondível; não muitos de nós são capazes de aceitar a realidade da morte. É uma afirmação, óbvia, intrincada. Assim, a imaginação, a quem foi designada a tarefa de recriar e in...

UM OLHAR DA SENZALA SOBRE A OBRA DE GILBERTO FREYRE

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No dia 24-05-2017 sofri uma intervenção do segurança do Super Mercado Pingo Doce na Reboleira suspeitando da minha presença no local, no mesmo dia fui ao debate Racismo e Cidadania dentro da Programação do Lisboa Capital Iberoamericana da Cultura, onde eu e os presentes pudemos constatar o saudosismo, e a noção colonialista que o povo português simplesmente não consegue superar, no sábado vi o anúncio do lançamento de um tal “Café Colonial”, no palácio do Príncipe  Real que do menu a música busca manter pulsante nas veias portuguesas a narrativa do lusotropicalismo e dos “descobrimentos”, dias depois recebemos a visita do cacique Ava Taperende do povo  Guarani-Kaiowá que vem a Europa suplicar a ajuda do seu povo que está morrendo na mão de ruralistas brasileiros, hoje pela manhã acordo com um anúncio da Radio Cidade que ao pretender lançar um jogo nas redes sociais incorre num ato racista e coloca a imagem de uma mão branca apontando um revólver para a cabeça de uma ...

ISSA SAMB "JOE OUAKAM", O ARTISTA COMPLETO

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Escrito em 28/04/2017 p or Aboubacar Demba Cissokho Tradução: Rose Mara Silva No dia 25 de abril  de 2017 faleceu um ícone das artes, Issa Samb, aos 71 anos de idade. Segue uma homenagem ao artista prestada pelo jornalista Aboubacar Demba Cissokho. O escultor, poeta, pintor, escritor e performer Issa Samb do Senegal, mais conhecido pelo nome artístico de Joe Ouakam, que faleceu em 25 de abril de 2017, aos 71 anos, tinha a dimensão de um filósofo que, depois de ter dominado questões do seu tempo, foi chamado para viver uma plenitude assumida. A impressão de conhecê-lo estava presente o tempo inteiro nos espíritos, sua silhueta era familiar e visível nas ruas de Dakar, onde andava regularmente para sentir a respiração e a vida. Mas essa impressão era muito imprecisa, uma vez que  Issa Samb também era  mistério e enigma. Talvez nunca soubemos como identificá-lo. Por quê? Porque ele era ao mesmo tempo: escultor, pintor, poeta, dra...

CONVERSA COM FAUSTIN LINYEKULA, COREÓGRAFO CONGOLÊS, Parte 2- REFLEXÕES SOBRE A DANÇA CONTEMPORÂNEA EM ÁFRICA

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por Rose Mara Silva Fundador do Studios Kabako em Kisangani, República Democrática do Congo e co fundador da primeira Companhia de Dança Contemporânea da África do Leste, Faustin esteve na Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MIT-SP), com temporada de seu espetáculo A Carga (10 a 13 de março) e um workshop voltado para o público das artes cênicas, ambos vivências profundas tanto intelectual quanto artisticamente, entrelaçando questões filosóficas e artísticas da negritude contemporânea. Em uma conversa livre e tranquila pude conhecer um pouco mais sobre a obra e pensamento de Faustin, e divido com vocês a segunda parte desse rico diálogo . Q uem quiser saber o que conversamos na primeir a parte , só olhar as postagens anteriores . Rose: Há muitos artistas e intelectuais que afirmam que a arte contemporânea africana é uma “interferência” da forma de organização artística europeia, há mesmo quem diga que seja uma “imitação” da arte europeia... O que você p...